Batalha ideológica é a ponta de lança da estratégia de Bolsonaro

Costumes são “cortina de fumaça” que ajudam a galvanizar base e “confinar” oposição, diz antropólogo. Eleger símbolos é “típico de governos autoritários, afirma professor

Governo Jair BolsonaroO presidente Jair Bolsonaro. EVARISTO SA AFP

 

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Gaudêncio Torquato l A ALMA MILITAR DO POLÍTICO

 

A ALMA MILITAR DO POLÍTICO

GAUDÊNCIO TORQUATO

 

Jair Bolsonaro, em sua peroração inicial como mandatário-mor da Nação, fez questão de exibir o manto verde-amarelo que expressa a estética de sua identidade desde os tempos em que adentrou o território da política. Ao puxar a bandeira brasileira do bolso e acenar com ela para a multidão, no discurso de posse no Parlatório do Palácio do Planalto, o presidente procurou enaltecer compromissos que permearam sua campanha: o verde-amarelismo abriga coisas como o ânimo cívico, o nacionalismo, a soberania nacional, o combate à ideologia de esquerda. O fecho de suas mensagens aponta a linha divisória que separa seu eleitorado de contingentes abarcados pelo lulopetismo e entorno: “essa bandeira jamais será vermelha”.

A expressão soma mais força em função da origem militar de Bolsonaro. Mais que outros segmentos, os militares encarnam de maneira intensa a simbologia nacionalista. De pronto, a primeira fala do presidente definiu o Brasil, sob seu mando, como enclave poderoso no sul do continente a lutar contra o ideário da foice e o martelo (o comunismo) e, por tabela o socialismo, mesmo sabendo que as cores deste foram suavizadas em nossos tempos com a incorporação de elementos do liberalismo, como a livre iniciativa, formando a social-democracia, como pode se ver na Europa.

Ocorre que a vertente esquerdista tem se enfraquecido nos países social-democratas, casos de Alemanha, Itália, Espanha, Hungria, Polônia e até Suécia, onde entes mais à esquerda têm amargado derrotas. O fato é que a crise da democracia representativa tem fragilizado seus vetores, implicando arrefecimento ideológico, declínio de partidos, desânimo das bases, fragmentação das oposições. Em contraposição, novos polos de poder se multiplicam – particularmente os núcleos formados no âmbito da sociedade organizada – sob os fenômenos que hoje agitam a política: a globalização, a imigração e o nacionalismo.

A globalização rompeu as fronteiras nacionais, instalando interdependência entre as Nações. A livre circulação de ideias e a troca de mercadorias contribuem para a formação de uma homogeneidade sócio-cultural, arrefecendo valores próprios dos territórios e certo prejuízo para os conceitos de soberania, independência, autonomia. A explosão demográfica, por outro lado, e as carências das margens sociais, a par dos conflitos armados em algumas regiões (as guerras modernas), aceleraram processos migratórios. Na Europa, emerge o temor de que as correntes de imigração não apenas contribuam para a perda de emprego da população nativa, como resultem mais adiante em impactos culturais de monta, descaracterizando signos e símbolos das Nações.

Nos Estados Unidos, esses fenômenos têm sido tratados de maneira dura por Donald Trump, com sua insistência para construir um muro na fronteira com o México. O cabeludo presidente desfralda a bandeira do nacionalismo sob o discurso de proteger empregos e melhorar as condições de vida de populações ameaçadas pelo fluxo migratório. Daí o posicionamento do governo americano ante a globalização, os compromissos das Nações com o Acordo de Paris sobre Mudança Climática e o Pacto Mundial sobre Migração, sob a égide da ONU; a situação de países como Venezuela, Cuba e Nicarágua e a política de defesa de direitos transgêneros. Os EUA marcam posição nessas frentes.

Nessa encruzilhada, Bolsonaro e Trump marcam um encontro. O pano de fundo da articulação mostra a integração de esforços para combater ideologias de esquerda, fortalecer vínculos com entes comprometidos com um ideário conservador, dar impulso ao liberalismo. No Brasil, o foco será a privatização. Deixar o Estado com o tamanho adequado para cumprir suas tarefas. E manter o cobertor social do tamanho que os recursos permitam. Nem lá nem cá. Mais: sem apoio a núcleos que batalham por direitos. (A indicação de Bolsonaro de que devemos combater o “politicamente correto” não seria, por exemplo, o arrefecimento a ideologia de gêneros?).

Em suma, com o resguardo militar, um programa arrojado de alavancagem da economia, ações na área do campo, forte combate à corrupção, disposição de cortar as fontes que alimentam a bandidagem, desfralde dos valores da família, sob as bênçãos de Deus, o novo governo quer “consertar” as coisas erradas. P.S. Com direito da população de acompanhar tudo isso pela linguagem de Libras. Com a simpática Michelle, ao lado do marido, abrindo seu cativante sorriso.

 

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação – Twitter@gaudtorquato

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Cenário – FSB Comunicação | 7.1.19

Cenário – 7.1.19

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

 

Fonte: Migalhas.

 

Fluxo de governo

Entre ruídos reais e outros nem tanto, a agenda do novo governo buscou os espaços que eram possíveis para se consolidar nestes primeiros dias.

Itens delicados e/ou polêmicos acabaram atropelando o cronograma, o que prejudicou parte da estratégia de furar as bolhas por etapas e de maneira estruturada.

Ideias que mexem com a área fiscal e com a rotina das pessoas tomaram a dianteira antes da hora, envolvendo muita gente.

Assim como a questão da Previdência naquilo que ainda carece de ajustes técnicos e políticos.

O desafio posto esta semana ao Planalto e aos ministérios mais ativos reside em dosar melhor o tempo e, em alguma medida, controlar a ansiedade.

Previdência

O texto

Se não for possível avançar nos trechos complexos, pelo menos a parte base da reforma da Previdência e seu provável curso no Congresso a partir de fevereiro serão colocados em discussão na reunião de amanhã do Conselho de Governo.

Governadores

Situação nos Estados

No fim de janeiro, governadores estarão em Brasília para dar continuidade às conversas com o Planalto e a equipe econômica sobre os rumos da Previdência e o apoio à reforma que está sendo elaborada pelo governo Federal.

Bancos públicos

Novas cúpulas

Jair Bolsonaro dará posse hoje aos presidentes da Caixa, Pedro Guimarães, Banco do Brasil, Rubem Novaes, e BNDES, Joaquim Levy.

A troca de guarda está alinhada a uma estratégia de curtíssimo prazo que prevê, entre outras coisas, 1) comunicação rápida das primeiras medidas e 2) balanços igualmente ágeis dos resultados obtidos com as ações.

Calendário

IBGE 2019

Estão disponíveis no site do IBGE todas as divulgações previstas para o ano.

Davos

Preparativos

O Fórum de Davos, na Suíça, já recebeu confirmações importantes de lideranças empresariais e políticos que estarão no encontro global entre os dias 22 e 25 deste mês.

Além de Bolsonaro, o vice-presidente chinês Wang Qishan e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, irão.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, que não pisa na reunião desde 2009, também pode participar.

AGENDA

Celular – Mensagens de alerta sobre o bloqueio de celulares irregulares habilitados nas redes das prestadoras a partir de hoje serão enviadas para os Estados do Nordeste, além de Minas Gerais, São Paulo, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima.

Ônibus – A tarifa do ônibus municipal em São Paulo passa de R$ 4 para R$ 4,30 a partir de hoje.

SABER

Cozinha – O sucesso dos livros de culinária. Veja um dos muitos rankings dos títulos mais vendidos.

SUSTENTÁVEL

Água – Conheça a Associação Latino-americana de Dessalinização e Reúso de Água (Aladyr).

TECH

Inovação – Os rumos da realidade aumentada (RA) ou (AR), tecnologia que integra elementos e informações virtuais com o que é real. Assista aqui.

BEM-ESTAR

Férias – Um relatório divulgado no ano passado que atesta: tirar férias pode prolongar a vida.

JORNAIS

Ibama – Uma postagem do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, reabriu a crise com a atual direção do Ibama. No Twitter, Salles criticou um contrato do órgão para a locação de carros. (Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo)

Reação – O presidente Jair Bolsonaro retuitou a postagem de Salles e escreveu que o governo está “desmontando rapidamente montanhas de irregularidades”. Pouco depois, apagou o comentário. (Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo)

Estrutura – O anúncio feito pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de que iria demitir 320 servidores de cargos comissionados para “despetizar” a pasta desarticulou momentaneamente o corpo técnico do Palácio do Planalto. (Folha de S.Paulo)

Congresso – O governo Bolsonaro quer criar um atalho no Congresso para agilizar a aprovação de projetos ligados principalmente à infraestrutura, numa tentativa de destravar investimentos. (manchete de O Estado de S. Paulo)

Empresas – Além das reformas macroeconômicas, o setor produtivo espera que o governo Bolsonaro adote outras medidas para dar mais competitividade ao país. (manchete do O Globo)

ICMS – Vinte Estados e o Distrito Federal aumentaram nos últimos dois anos várias alíquotas de ICMS para compensar perdas de arrecadação deixadas pelo déficit previdenciário que se aproxima de R$ 100 bilhões. (manchete da Folha de S.Paulo)

BNDES – O diretor financeiro do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas, confirmou que o banco tem capacidade de devolver neste ano R$ 100 bilhões ao Tesouro Nacional. (O Estado de S. Paulo e Valor Econômico)

Urânio – O governo Bolsonaro pretende abrir, para empresas privadas, a pesquisa e a exploração de urânio, atividades que hoje são monopólio da União. (manchete do Valor Econômico)

Ceará – Os ataques criminosos no Ceará perderam força na quarta madrugada seguida de ações de bandidos. A noite de sábado, 5, foi a primeira com os 300 integrantes da Força Nacional no Estado. (todos os veículos)