A falta de competitividade mais uma vez prejudica a balança comercial de produtos químicos. De janeiro a setembro, o déficit chegou a US$ 21,6 bilhões, representando um aumento de 21,5% em relação a igual período de 2017. Nos últimos 12 meses (outubro de 2017 a setembro deste ano), o déficit já atingiu US$ 27,3 bilhões e as expectativas são de que o déficit acumulado deste ano deva ser de US$ 28 bilhões, maior resultado desde 2014. Em setembro, o Brasil importou praticamente US$ 4 bilhões em produtos químicos, valor que representa aumento de 5,2% em relação a igual mês de 2017, ao passo que o valor exportado, de US$ 1,1 bilhão, significou uma redução de 8,3% na mesma comparação. Os produtos químicos mais importados foram os intermediários para fertilizantes, cujas compras externas totalizaram US$ 879 milhões no mês, aumento de 52,4% contra setembro de 2017. Já as mercadorias mais exportadas foram as resinas termoplásticas com vendas de US$ 191 milhões, crescimento de 11,0% em igual comparação. No acumulado do ano, de janeiro a setembro, as compras externas de produtos químicos somam US$ 31,6 bilhões, uma elevação de 13,4% frente ao mesmo período de 2017, enquanto as vendas externas alcançaram a marca de US$ 10 bilhões, valor 0,9% abaixo do que o registrado entre janeiro e setembro de 2017.
Para a diretora de Assuntos de Comércio Exterior da Associação Brasileira da Indústria Química – Abiquim, Denise Naranjo, a escalada das tensões comerciais entre as maiores economias do mundo, o delicado momento econômico enfrentado pela Argentina, principal mercado de destino das exportações brasileiras de produtos químicos, a ainda instável retomada do crescimento nacional e a forte oscilação cambial do real frente ao dólar serão variáveis determinantes para a balança comercial até o final do ano. “O último trimestre de 2018 será particularmente desafiador, tendo em vista o turbulento cenário internacional e que no Brasil é preciso sermos pragmáticos quanto ao posicionamento estratégico que o país tem que assumir na nova realidade do comércio global e, nesse contexto, imediatamente se retomar a agenda de fortalecimento da competitividade da indústria com políticas públicas que promovam mais produção nacional e atração de novos investimentos. Só assim o país conseguirá nível maduro de desenvolvimento econômico coerente com seu tamanho e que permita a sua inserção internacional de maneira responsável e sustentável”, avalia Denise.